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Archive for the 'Relances' Category

différence

A Coca-cola pode ajudar: a diferença entre inteligência e pseudo-inteligência é que quando bebo Dolly Cola ao invés de Coca-cola para fortalecer o mercado nacional de refrigerantes, estou sendo nacionalista de uma maneira pseudo-inteligente, pois a Coca-cola que bebo no Brasil é produzida no Brasil. Nada contra nacionalistas ou contra quem prefere Dolly Cola, mas prefiro seguir o valor estético superior, e prefiro Coca-cola.

sempre há brechas

Vejam aqui primeiro.

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Acabei tirando 10 em 2. Portanto estou livre da obrigação, que dizia sobre “um dos trabalhos”.

Blé. Até programei esse post para aproveitar. 365 posts, aí vou eu.

trabalhos

A quantidade exacerbada de trabalhos e coisas a fazer neste fim de semestre (que, não fosse a grevinha, seria início) impede que eu possa ler tanto quanto poderia, gostaria. E também de escrever. Mas prometo uma coisa: se eu tirar 10 em um dos trabalhos, escrevo todo dia neste blog por um ano. Não, não é uma jura para que Deus me ajude - é incredulidade mesmo.

exaltação

Por mais que eu pense na atual situação da faculdade de letras da usp, não consiga visualizar qualquer esperança contra a decadência, saiba que há mais mediocridade do que vulgaridade (o que seria paradoxalmente melhor), e conheça o fato de que a própria academia trabalha para isso, fico contente em saber que alguém como Alcides Villaça dá suas aulas e vive sua vida de amor à poesia.

Irracionalidades

Dormir às vezes é um desafio. Rodear a cama, arrumar tudo, preparar com certo cuidado o dia de amanhã; tudo isso é muito fácil, muito claro. Mas quando se olha ao lado - ali estão livros, papéis, coisas para ler para sempre - e do outro - idéias, nascendo e morrendo tão rápido que pouco a pouco parecem nem sequer existir em um estado de consciência racionalizada, idéias que não vêm durante o sono - não resta mais nada a olhar a não ser a cama, que só prolonga nossas obrigações posteriores. E o sono: todo corrido, sem sonhos, feito apenas para acordarmos com vontade de dormir mais: sono é indolência, não quero dormir. As coisas boas de dormir são sonhos e pesadelos; o resto é alienante.

Passagem das horas

Daqui há exatas vinte e quatro horas este texto será publicado - é como algo de que sinto falta ainda por haver; dei uma olhada ao meu redor, e naturalmente soube que pouco havia a dizer sobre o tempo que viria: mais um pouco de leitura de John Milton, Guimarães Rosa, quem sabe Dostoiévski; sinto que não posso dizer muita coisa, e mesmo sendo o primeiro dia, tenho consciência de minha inevitável solidão - não sou blogueiro nem nunca o serei: sou apenas a amostra garantida de que a força da auto-ilusão é maior do que se pensa; minhas leituras de blogs alheios, minha navegação por entre dezenas de sites que pretendem dizer algo, tudo isso misturado à minha adoração solitária pela literatura, e a um certo ceticismo quanto à minha sociabilidade, tudo contribui para que este post, inevitavelmente, torne-se inútil; é apenas uma forma de saber, no fim do dia em que iniciarei o blog, que não adianta buscar um sentido: Berman argutamente chamou seu livro de All That Is Solid Melts Into Air - são assim meus motivos para um blog: dissolvem-se sempre; mas enquanto programo este post, penso que alguns outros posts serão publicados, outros programados, alguns planejados, intuídos, percebidos, até o momento da publicação deste; meditando sobre a efemeridade das mensagens - destes Relances - que insistentemente lançarei neste lugar virtual, descubro que a única certeza que irá restar após o fim de tudo é a certeza de que tive a chance de algo; não desperdiçar a possibilidade, eis um bom motivo.

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