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Archive for the 'Relances' Category

I’ve felt proud only at the end

Eu já havia lido Song of Myself antes (lá vou eu, falando de Whitman de novo… Isso porque eu deveria estar estudando Neruda. Mas estou, e não digo isso obliquamente), mas foi curioso reler esta passagem depois do último post:

(…)
Have you practis’d so long to learn to read?
Have you felt so proud to get at the meaning of poems?

Stop this day and night with me and you shall possess the origin of all poems,
You shall possess the good of the earth and sun, (there are millions of suns left,)
You shall no longer take things at second or third hand, nor look through the eyes of the dead, nor feed the spectres in books,
You shall not look through my eyes either, nor take things from me,
You shall listen to all sides and filter them from your self.

Quase libertador, não fosse tão duro em seus princípios. O tom inicial é de menosprezo gentil, como se estivesse advertindo uma criança: “aprendeu a ler? Achou o sentido dos poemas? Chega mais, meu filho; vamos começar de novo”.

E se propõe a começar de novo e nos ajudar. Se dependêssemos só do texto de Song of Myself inteiro, daria para acreditar que Whitman veio para nos salvar de nós mesmos, convertendo-nos a uma nova realidade. Uma espécie de Juízo Final por meio do eu whitmaniano, que se oferece como companheiro integral a fim de que alcancemos a raiz das coisas, principalmente dos poemas. Na última estrofe, quase é esquecido o desprezo ao homem que se sentia “orgulhoso em chegar ao sentido dos poemas”, em troca de uma atitude que permitirá a esse homem mais do que entender os poemas, mas também ser um deles.

Se é possível acreditar na utopia democrática whitmaniana de que, ao lado dele, podemos possuir todas as coisas e todo o bem que há na terra e no sol, não cabe a mim decidir diretamente. Mas tenho um palpite: ao menosprezar o homem orgulhoso e oferecer-lhe a mão em seguida, Whitman cria um ato genuíno de solidariedade. Cabe ao seu leitor entender a solidariedade, aceitá-la ou rejeitá-la. Uns podem achar belo, mas desconfio que a maioria das pessoas não gostaria de tal ajuda, ou melhor, não acreditaria na ajuda.

Tudo o que eu desejo é acreditar, mas sei que Whitman era também um homem, como eu. Não era o Salvador, por mais que tenha parecido em sua poesia. Entretanto, se ele consegue nos humanizar - e, acreditem, ele realmente sabe como o fazer - merece nosso afeto e consideração. Tenho Whitman como um amigo um pouco distante, a quem escrevo de vez em quando.

Mais arquivos

Hoje, só “dei um tapa” neste conto e o postei. Espero que gostem.

Arquivos

A ausência deste blog por um tempo foi justificada por uma passagem de uma semana em São Paulo que realizei de terça-feira a terça-feira passadas. Inclusive, nesta última terça, precisei levar meu computador de São Paulo para Sorocaba, devido a problemas técnicos. Curiosamente, este computador esteve por um ano - ou mais - desconectado da Internet, sendo utilizado apenas para o digitar de alguns trabalhos de faculdade. Toda esta introdução se faz necessária para explicar o tamanho de minha surpresa ao, remexendo nos arquivos deste computador, encontrar projetos bastante antigos de blogs e literaturas, coisas que ficaram apagadas e das quais talvez eu jamais me lembrasse não fosse a curiosidade hostil que exerci sobre algumas pastas misteriosas do disco rígido. Entretanto, poucos arquivos continham efetivamente alguma coisa, pois estavam muito mais repletos de sonhos e esquemas do que qualquer obra fechada. Todos os defeitos de meus planejamentos se verificavam ali: o primeiro, e mais grave: sempre acredito que irei me lembrar de tudo que imagino e por isso reduzo minhas idéias às frases mais sintéticas e essenciais, sem expor a mim mesmo os caminhos do raciocínio. O leitor pode considerar isso de certa forma algo benéfico, pois seria uma limpeza de pensamento a que poucos aspiram e menos pessoas ainda atingem. Entretanto, só posso me lamentar; encontrando apenas a síntese meio rarefeita, não posso fazer nada mais com aquele fragmento além de repisar-lhe a verdade e incorrer nas mais cruéis tautologias.

O segundo e o terceiro defeitos de meu planejamento podem ser vistos a partir da análise de um desses fragmentos sintéticos:

Talvez fosse este o motivo que dava tal semblante ao homem: era um ritualista, sabia o que ocorreria. Já fizera aquele ritual do lado oposto; recordava-se: era mais fácil. Se a salvação da tribo passa por um sacrifício, ele o aceita de bom grado. Não há dúvida para quem retorna.

Nota-se claramente a inocência de uma criança nestes escritos que consideram ser preferível o “terror conhecido” ao “terror desconhecido”, como se o choque que se sente da primeira vez com algo sempre fosse decrescente, tornando-se em algum momento quase inócuo. Ou melhor, não exatamente “quase”: “não há dúvida para quem retorna”. Voltando a este texto, tenho muitas dúvidas e, devo dizer, sinto um choque cada vez maior do que sentiria da vez anterior. Por fim, nada de muito belo vem deste trecho. Notem a deselegância da passagem; parece ter sido escrita às pressas, embora eu tenha quase certeza de que meditei um bocado para escrevê-la; servem de provas para tal hipótese a presença de uma pontuação significativa, algo que não consegui tão facilmente em nenhum de meus textos, mesmo os de três anos atrás.

Ainda tento retirar algum significado de cada uma das palavras que escrevi, mesmo as mais simplórias, mas acredito ter chegado a uma conclusão nada animadora: é possível encontrar quaisquer conjeturas nestes pequenos trechos, por mais fracos que sejam, e relacioná-las infinitamente com todas as outras frações que reconhecermos como existentes e possíveis. Caso um tal trecho não seja reconhecido como existente e possível, torna-se algo de tão original que se funde ao autor de maneira inextricável, e o autor torna-se a mediação para as coisas existentes e possíveis; caso não exista autor, o texto pode fundir-se a um Zeitgeist específico e, enfim, integrar-se: as coisas do universo aspiram à esta integração que nem sempre é desejável: eu, por exemplo, não desejo tais fragmentos e por isso não lhes reconheço existência própria: serão para sempre somente meus erros.

pensei na rua, ao pular do ônibus:

Mulher alguma ficará bela em um vestido de noiva.

reflexão sobre a faculdade

Curta, esta reflexão. A faculdade é tratada como um lar, um segundo lar, o local onde posso refletir, inclusive acerca da faculdade. Pouco sai destas reflexões que, de alguma maneira, perpetuam-se como perda de tempo. Não mais penso em ganhar tempo com as coisas, por mais que precise disso; mas pensei nesta reflexão como parte de outra reflexão, mais difícil de explicar e menos interessante para o leitor.

um sonho

Na madrugada de quarta para quinta, esta semana, houve um trecho de um sonho que, a despeito de não ter sido nem um décimo do tempo que me lembro de ter sonhado, foi o único trecho que se fixou na minha memória. Um cachorro, andando por uma calçada, vem na minha direção. No meio do caminho, começa a urinar (vi algo semelhante na noite de quarta-feira). Desvio-me dele e o xingo. Ele então começa a vir de encontro a mim, tentando me acertar, apesar de diminuir de tamanho gradativamente. No entanto, vai ficando cada vez menor, e não consigo acertar-lhe um chute. Paradoxalmente, quando atinge o tamanho de um polegar, acerto-lhe o chute: neste momento, ele se transforma em um inseto branco e o perco de vista.

-términos-

Não deixa de ser irônico o fato de, quando começo a escrever qualquer coisa, sentir muita sede. Não consigo mais conviver comigo mesmo sem uma garrafa de refrigerante na geladeira. Observo que o momento da escrita é sempre muito próximo da seca - então levanto-me e bebo. Irônico pois recorrências como esta, que conjugam corpo e psicologia, são sempre falsas dualidades; afinal a escrita só flui durante o desenrolar de alguma música.

Quinta frase completa da página 161 de Ao vencedor as batatas:

Nas grandes linhas, as observações que fizemos nos mostram que a matéria dos romances anteriores está ampliada, unificada e amadurecida.

Não vou indicar cinco blogs pois não conheço cinco blogs que já não tenham recebido a corrente. Crucify me.

whispering thoughts

Sentir-se solitário é bom, mas é sempre um mau sinal quando se sabe que está errado. Sim, errado, no sentido mais moralizante possível. É sinal de que sua solidão não é pura - os espectros de outros vivem. Pode ser que venha daí o terror que inspiram as aparições; tão reais quanto se imaginam, fornecem as bases do desespero ao estarem presentes apenas na nossa própria figuração.

différence

A Coca-cola pode ajudar: a diferença entre inteligência e pseudo-inteligência é que quando bebo Dolly Cola ao invés de Coca-cola para fortalecer o mercado nacional de refrigerantes, estou sendo nacionalista de uma maneira pseudo-inteligente, pois a Coca-cola que bebo no Brasil é produzida no Brasil. Nada contra nacionalistas ou contra quem prefere Dolly Cola, mas prefiro seguir o valor estético superior, e prefiro Coca-cola.

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Aprovados FUVEST 2008