um poema
Há muitos dias não tive sequer uma idéia do que postar aqui. Dane-se, pensava eu. Ontem, mexendo nos arquivos, resolvi colocar um ou outro poema escrito. Selecionei os que julgo possuir alguma qualidade, mesmo que não muito evidente (ou, talvez, existente). Gosto desse tom de modéstia, mas sei que soa muito falso, como se quisesse apenas que me dissessem o contrário do que digo. Que diferença faria? Minha opinião e minha avaliação dificilmente irão mudar. Eu só quero saber o que um ou outro vai achar.
Vou começar com o mais recente, feito domingo passado e modificado desde então.
***
Cur quaeris nomen meum?
(Gen, XXXII, 30)
Jacó versus um vulto - toda a noite
se encontram reunidos combatendo
em sombras que misturam seus fantasmas,
espadas tão celestes congregadas.
Mas algo se revela em seu final:
nem combate nem prélio é o que travam;
é dança, incendiando pelo céu
o mito em criação, destemperando
seu ânimo brutal - encenação:
o anjo do Senhor lhe fere o fêmur,
e Jacó, sem derrota nem vitória
descerra seu futuro, em ferimento
inaugurado, estranho novo reino,
agora não mais filho, patriarca
em novo nome ungido - Israel.
***
Não tem nome mesmo. A coisa mais difÃcil para mim é sempre inventar um nome. Sabe aquele medo de ser óbvio? Tenho esse medo em cada verso, mas o tÃtulo é mais visÃvel. Por enquanto, esta pequena peça fica sem.
VinÃcius :: Mar.14.2008 :: Partituras :: 5 Comments »
Este post sumiu de repente do blog, e tive de republicar. Muito estranho, talvez seja um sinal de que devo parar de escrever poemas.
Eu gostei bastante do ritmo e da sonoridade, mas não entendi o conteúdo.
Talvez seja um sinal de que devo ler a BÃblia.
VinÃcius, sabia que você escreveu um poema homoerótico? Tipo sexual mesmo. Dá uma relida e me diz se a cena não é clara!
Não to zoando.
A moça tem razão.
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