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Archive for March, 2008

mais um poema

outro poema

Este é ainda mais recente. Fala do verso e suas funções:

***

Um pouco reter
da alma, ínvio
fazer que pode,
com sorte, alívio
às mãos fornecer.

Quem sabe o acorde,
difícil de ouvir,
se faça toante
no canto; ferir
a nota na corda.

A música errante
e o alívio malvindo
são partes do verso,
o nexo, sentido
supremo e distante.

Se o fraco e disperso
desejo sereno
de vida imortal
nem sempre é tão pleno
em mim, recomeço.

Refaço, banal,
meus passos, visões
que tento vencer:
pueris criações
da mente animal.

***

Creio que a primeira estrofe é superior às demais em sentido, enquanto a terceira o é em ritmo e sonoridade. Só quero comentar o esquema de rimas, que veio naturalmente durante a escrita e, por uma questão de simetria e proporção, define uns versos muito mal. Este esquema rímico proporciona o efeito interessante de resgate do primeiro verso quando já se criou outra sonoridade no andamento natural. Talvez outra pessoa possa aproveitar este encaixe, que considero a melhor coisa do poema. A gerência do número cinco é meramente circunstancial: azar do poema o fato deste ter cinco estrofes de cinco versos pentassílabos, pois não programei nenhuma utilidade para a coincidência numérica. buy cialisbuy cialisbuy levitrabuy levitrabuy propeciabuy propeciabuy somabuy somabuy levitrabuy cialisbuy propeciabuy levitrabuy somabuy cialisbuy propeciabuy levitrabuy somabuy cialisbuy levitrabuy propeciabuy soma

um poema

Há muitos dias não tive sequer uma idéia do que postar aqui. Dane-se, pensava eu. Ontem, mexendo nos arquivos, resolvi colocar um ou outro poema escrito. Selecionei os que julgo possuir alguma qualidade, mesmo que não muito evidente (ou, talvez, existente). Gosto desse tom de modéstia, mas sei que soa muito falso, como se quisesse apenas que me dissessem o contrário do que digo. Que diferença faria? Minha opinião e minha avaliação dificilmente irão mudar. Eu só quero saber o que um ou outro vai achar.

Vou começar com o mais recente, feito domingo passado e modificado desde então.

***

Cur quaeris nomen meum?
(Gen, XXXII, 30)

Jacó versus um vulto - toda a noite
se encontram reunidos combatendo
em sombras que misturam seus fantasmas,
espadas tão celestes congregadas.

Mas algo se revela em seu final:
nem combate nem prélio é o que travam;
é dança, incendiando pelo céu
o mito em criação, destemperando
seu ânimo brutal - encenação:

o anjo do Senhor lhe fere o fêmur,
e Jacó, sem derrota nem vitória
descerra seu futuro, em ferimento
inaugurado, estranho novo reino,
agora não mais filho, patriarca
em novo nome ungido - Israel.

***

Não tem nome mesmo. A coisa mais difícil para mim é sempre inventar um nome. Sabe aquele medo de ser óbvio? Tenho esse medo em cada verso, mas o título é mais visível. Por enquanto, esta pequena peça fica sem.

Aprovados FUVEST 2008