Отец Сергий
No dia de meu retorno a Sorocaba, 21 de dezembro, acabei por ler uma novela de Tolstói, durante a viagem, chamada Padre Sérgio. Impressionou-me a capacidade do autor de mostrar que, por mais que tentasse, o referido Padre Sérgio jamais conseguiria, por melhor que fosse seu Ãmpeto, impedir que sentimentos mundanos se sobrepuzessem à s suas aspirações de viver dedicando-se a Deus. O herói, desde o inÃcio da novela, caracteriza-se por ser orgulhoso e de ambição perfeccionista. Entretanto, jamais se realiza em alguma atividade, rejeitando a alta sociedade, o monastério, a vida como eremita, apesar de tudo que faz para tentar chegar até cada um destes patamares. No fim, acaba por se redimir ao notar que não vivia para Deus, e sim para os outros, o que o tornava falho e inconcluso. Parou de considerar as opiniões dos outros e passou a viver peregrino, conformando-se com as chacotas e bravatas dirigidas à sua pessoa. Tornou-se, enfim, na hagiografia proposta por Liev Tolstói, um quase santo.
Segundo muitos comentadores, o fim não convence: Tolstói estaria tentando fazer da novela um panfleto para divulgar suas idéias sobre abnegação, humildade e devoção - que no geral se resumiam, em sua conduta particular, a ser um baita egocêntrico, arrogante, de vista obnubilada pela “vã glória de mandar”. Tolstói, em seus escritos religiosos, até transmite alguma esperança de dias melhores, para aqueles que querem se ver no caminho de Deus. Mas não consegue em Padre Sérgio. Quem lê se sente incomodado com o final redentor porque sabe que, depois do final, Sérgio provavelmente se daria conta de que Deus é, para ele, uma pessoa - magnÃfica, mas ainda pessoa -, uma pessoa que ele estava tentando em vão impressionar. O cÃrculo vicioso não tem fim. Quando passasse a acreditar nisso com todas as forças, veria o motivo de todas as suas ações serem sempre facas-de-dois-gumes, e a vida humana um processo constante do que chamam de razor’s edge, fio da navalha: não há bem, não há mal, há apenas culpa, ou regozijo, do qual o ser se sentirá culpado posteriormente.
Não preciso dizer que saà da leitura um tanto perturbado.
VinÃcius :: Dec.22.2007 :: Naturalismos :: 1 Comment »
Isto me lembra um pouco o fim de Crime e Castigo; e as pessoas costumam criticar a mesma coisa. Em minha primeira leitura, agi assim. Na segunda, emocionei-me muito no final do romance. Acho que há algo de fantástico, algo de absurdo, uma oposição completa ao Raskolnikov do romance, o que é impossÃvel, o que não é de sua natureza. O que é impossÃvel. Sei lá.