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Portugal, 11 de junho de 1915

Por esses dias me lembrei disto:

De aqui de Portugal, todas as épocas no meu cérebro,
Saúdo-te, Walt, saúdo-te, meu irmão em Universo,
Eu, de monóculo e casaco exageradamente cintado,
Não sou indigno de ti, bem o sabes, Walt,
Não sou indigno de ti, basta saudar-te para o não ser…
Eu tão contíguo à inércia, tão facilmente cheio de tédio,
Sou dos teus, tu bem sabes, e compreendo-te e amo-te,
E embora te não conhecesse, nascido pelo ano em que morrias,
Sei que me amaste também, que me conheceste, e estou contente.
Sei que me conheceste, que me contemplaste e me explicaste,
Sei que é isso que eu sou, quer em Brooklyn Ferry dez anos antes de eu nascer,
Quer pela Rua do Ouro acima pensando em tudo que não é a Rua do Ouro,
E conforme tu sentiste tudo, sinto tudo, e cá estamos de mãos dadas,
De mãos dadas, Walt, de mãos dadas, dançando o universo na alma.

Não sei porquê, mas me lembrei.

One Response to “Portugal, 11 de junho de 1915”

  1. on 07 Dec 2007 at 6:56 pmLorena

    Tão simples e exato, como a perfeição.

    É assim que eu me sinto quanto à Sylvia Plath, mas não é assim que eu me sinto quanto à Sylvia Plath que por ela sinto mais pena do que identificação intersubjetiva. “Caralho, ela sofreu”, e por isso quero calar a boca das pessoas que não se cansam de falar besteiras sobre ela.
    Acredita que há quem considere seu suicídio um ato “literário”? Pra que tanta gente no mundo, meu deus…

    (Pessoas em crise tendem a direcionar tudo ao seu próprio umbigo, desculpe)

    Belo poema esse que você postou, Vinícius. Mas eu gostaria mais de ler os seus.

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