Brecht conta:
“Gorelik esteve aqui ontem, com um producer-writer de nome Auerbach, um americano que ele tem em razoável conta. Winge narra a trama do KK [Der kaukasiche Kreidekreis, peça de Brecht]. Gorelik faz perguntas sobre o sentido, depois tentam criticar a construção. Onde está o conflito, a tensão, carne e sangue etc. etc.? Tento falar da construção complicada e engenhosa de Hamlet, so what, “e daà que Hamlet não tem construção?” (o que será que Moss Hart entende por construção?). Ao entrarem no carro com Winge, dizem: “ele nunca vai fazer sucesso. Não sabe suscitar emoções, não há nenhuma identificação, e aà ele faz uma teoria sobre isso, he is crazy and gets worse”. A prostituição desses “artists” é completa. A puta vende o “efeito” nu e cru, é bem paga para isso, uma vez que o cliente é impotente. O interesse que o público parece dedicar à vida é idêntico ao do usurário, devia chamar-se “juros”.”
Texto de Bertolt Brecht em seu diário, quando houve dificuldades para fazer os produtores do teatro americano aceitarem sua peça (O cÃrculo de giz caucasiano) “sem emoções”. Mudei algumas coisinhas no texto, como acentuação. Grifos meus.
VinÃcius :: Sep.05.2007 :: Ludicidades :: 2 Comments »
É fato longamente estabelecido que produtores são completos idiotas. Não somente no teatro; no cinema, na literatura (há contrapartes na literatura). Não surpreende.
Já vi motivo pelo qual reclamas, caro amigo.