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Archive for August, 2007

trabalhos

A quantidade exacerbada de trabalhos e coisas a fazer neste fim de semestre (que, não fosse a grevinha, seria início) impede que eu possa ler tanto quanto poderia, gostaria. E também de escrever. Mas prometo uma coisa: se eu tirar 10 em um dos trabalhos, escrevo todo dia neste blog por um ano. Não, não é uma jura para que Deus me ajude - é incredulidade mesmo.

exaltação

Por mais que eu pense na atual situação da faculdade de letras da usp, não consiga visualizar qualquer esperança contra a decadência, saiba que há mais mediocridade do que vulgaridade (o que seria paradoxalmente melhor), e conheça o fato de que a própria academia trabalha para isso, fico contente em saber que alguém como Alcides Villaça dá suas aulas e vive sua vida de amor à poesia.

o túmulo de Cícero

Zapeando sites e mais sites falando sobre o tal do Movimento “Cansei”, que eu, sem TV para me azucrinar, sem tempo para ler os jornais - cada vez piores -, sem vontade para ler qualquer coisa que não seja, sei lá, um poeta ou um inteligentíssimo retórico, nem sabia do tal movimento, coisa que atestei há pouco tempo. Hoje resolvi ver algumas opiniões. O blog do Reinaldo Azevedo e o de Mino Carta são as provas de que um debate inteligente num país de políticos de aluguel, que se alugam segundo conveniências, é impossível. Reinaldo, de seu lado, tem a típica postura “veja essa”, ou seja, grite contra a esquerda, pois eles estão infestando o país, levando-o para o buraco, um escândalo. Já no blog do Mino, é quase a mesma coisa, invertida: a elite, essa porca destruidora do país, opressora das classes humilhadas, ela pensa que pode se revoltar contra algo que ela mesmo plantou. Bom, eu diria que não sou nem parte da elite, nem sou de esquerda - curiosamente, ambas se misturam por vezes, neste país tropical -, odeio ter de falar sobre política, mas não por odiar a situação em que estamos; odeio ter de falar pois sinto ofensas à minha pessoa quando leio estes parcialistas sem qualquer qualidade retórica (a única coisa apreciável em um debate desse gênero). Deviam proibir os mentecaptos, os iludidos, os aproveitadores, os simplistas e outros bichos que infestam a cena pública nacional de falar sobre qualquer assunto que requira três neurônios funcionando harmonicamente. Mas quem, qual pessoa no país, pode impedir um idiota de ser idiota, um tolo de ser tolo? Ninguém: todos são tão ruins quanto os que criticam, salvo raras excessões que, por um talento extraordinário, estão em outra, fazendo outra coisa ao invés de discutir o sexo dos anjos, ora com virgens, ora com estupradores.

Forse altro canterà con miglior plectro

Quem me conhece sabe o quanto ando descontente com minha capacidade de converter pessoas semi-inteligentes a verdadeiros seres conscientes da própria falta de argúcia, algo de que padeço. Revelei-me incompetente até mesmo em dizer a mim mesmo: desista, você mesmo vale pouco, ou nada. Mas isso não é o pior, nem de longe. Não valer nada é tão reconfortante; faz com que se tenha menos medo. Por isso: pior que pouco, ou nada, dizer de útil - fugir da obrigatoriedade do inútil.

Irracionalidades

Dormir às vezes é um desafio. Rodear a cama, arrumar tudo, preparar com certo cuidado o dia de amanhã; tudo isso é muito fácil, muito claro. Mas quando se olha ao lado - ali estão livros, papéis, coisas para ler para sempre - e do outro - idéias, nascendo e morrendo tão rápido que pouco a pouco parecem nem sequer existir em um estado de consciência racionalizada, idéias que não vêm durante o sono - não resta mais nada a olhar a não ser a cama, que só prolonga nossas obrigações posteriores. E o sono: todo corrido, sem sonhos, feito apenas para acordarmos com vontade de dormir mais: sono é indolência, não quero dormir. As coisas boas de dormir são sonhos e pesadelos; o resto é alienante.

Aprovados FUVEST 2008